Homem apontado como líder da maior rede de tráfico de aves do Brasil e seis comparsas são condenados na BA
29/01/2026
(Foto: Reprodução) MP-BA denuncia homem apontado como chefe e 23 integrantes da maior rede de tráfico de animais silvestres do Brasil
MP-BA
Sete integrantes da maior organização criminosa especializada no tráfico interestadual de aves do Brasil foram condenados à prisão, após uma denúncia do Ministério Público da Bahia (MP-BA). Segundo o órgão, a sentença dos suspeitos foi anunciada na última quinta-feira (22), mas divulgada nesta quinta (29).
Os investigados atuavam em cidades da Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. O líder do grupo, identificado como Weber Sena Oliveira, conhecido como "Paulista", e outro homem foram presos em flagrante na cidade de Mascote, no extremo sul da Bahia, em setembro de 2025.
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Segundo o MP-BA, o líder do grupo foi condenado a 18 anos e 25 dias de reclusão, além de 1 ano, 2 meses e 11 dias de detenção. Também foram condenados:
Ivonice Silva, esposa de "Paulista", condenada a 6 anos, 2 meses e 29 dias de reclusão, somados a 1 ano e 29 dias de detenção;
Josevaldo Moreira Almeida, a 8 anos, 1 mês e 2 dias de reclusão, além de 1 ano, 2 meses e 21 dias de detenção;
Uallace Batista Santos, Ademar de Jesus Viana, Gilmar José dos Santos e Messias Bispo dos Santos, cada um condenado a 5 anos, 7 meses e 15 dias de reclusão, acrescidos de 1 ano, 4 meses e 22 dias de detenção.
Em novembro de 2025, o MP-BA denunciou mais de 20 integrantes da organização criminosa por:
integrarem rede criminosa de tráfico de animais silvestres, inclusive espécies ameaçadas de extinção;
lavagem de dinheiro;
receptação qualificada e maus-tratos a animais.
O "Paulista" e outro homem, identificado pela TV Bahia como Josevaldo Moreira Almeida, conhecido como "Galego", foram presos durante a "Operação Fauna Protegida". Na ocasião, os dois foram flagrados fazendo o transporte ilegal de 135 pássaros.
Denúncia do MP-BA apontou que grupo criminoso atuava há mais de 20 anos
Entre os denunciados pelo órgão estavam fornecedores, receptadores e transportadores da organização criminosa chefiada por "Paulista", que atuava há mais de 20 anos no esquema. A rede de atuação do grupo abrange, principalmente, a Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro, com ramificações para o Espírito Santo. (Confira a lista de denunciados e presos que atuavam na Bahia no final da matéria)
Segundo denúncias, o grupo é formado por 14 fornecedores, 10 deles com atuação na Bahia, além de cinco receptores, três transportadores e uma operadora financeira. As investigações realizadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), a companheira de "Paulista", Ivonice Silva e Silva, é apontada como a operadora financeira do grupo criminoso.
Suspeito de chefiar maior rede de tráfico de aves silvestres do país é baiano
Em apenas seis meses, entre fevereiro e agosto de 2023, foram movimentados quase R$ 500 mil nas contas de Ivonice. Ela também seria responsável por receber depósitos pelas "encomendas", que chegavam a conter mais de mil pássaros de uma vez.
Além disso, a companheira de "Paulista" é apontada como a responsável por realizar pagamentos para fornecedores do sudeste e norte da Bahia, bem como o nordeste de Minas Gerais.
Ainda segundo as investigações, uma parte das transferências bancarias partiam de terminais de autoatendimento em Magé, no Rio de Janeiro. Nessa mesma cidade, vive Valter Nélio, conhecido como "Juninho de Magé", que também é investigado por lavagem de dinheiro.
➡️ Como os animais eram capturados
De acordo com as investigações, os pássaros eram capturados com a utilização de armadilhas e redes de 20 de metros de cumprimento. Com essas ferramentas, os integrantes da rede criminosa conseguiam apreender até 500 passarinhos em um único dia.
As aves capturadas eram das espécies estevão, canário, chorão, papa-capim, trinca-ferro, azulão, pássaro-preto, entre outros. Há registros da venda de espécimes por R$ 80 mil.
MP-BA denuncia homem apontado como chefe e 23 integrantes da maior rede de tráfico de animais silvestres do Brasil
Reprodução/TV Bahia
Os animais eram colocados em cativeiros provisórios de extrema precariedade e sem alimentação suficiente. Eles passavam dias no local até a chegada de "Paulista", que era responsável por colocá-los em veículos de passeio e caminhões para enviá-los, majoritariamente, para o estado do Rio de Janeiro e para a cidade de Salvador.
A rota utilizada pela rede tráfico de animais foi descoberta por meio de um estudo de 31 manchas de calor realizado pelo projeto ‘Libertas’, da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa).
Cinco denúncias foram oferecidas contra o grupo
MP-BA denuncia homem apontado como chefe e 23 integrantes da maior rede de tráfico de animais silvestres do Brasil
MP-BA
Ao todo, cinco denúncias foram ajuizadas contra o grupo criminoso, quatro delas no período do dia 29 de outubro de 2025, quando a segunda fase da operação "Fauna Protegida", e a última no dia 10 de novembro. Durante as ações da operação, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva, 17 de mandados de busca e apreensão e três prisões em flagrante. O g1 tenta contato com as defesas dos acusados.
Confira a lista de denunciados e presos que atuavam na Bahia
Weber Sena Oliveira, “Paulista”, líder da Orcrim, preso preventivamente e denunciado desde setembro
Ivonice Silva e Silva, companheira de Paulista, operadora financeira
Uallace Batista Santos, fornecedor
Messias Bispo dos Santos, fornecedor
Gilmar José dos Santos, fornecedor
Ademar de Jesus Viana, fornecedor
Josevaldo Moreira Almeida, receptador
Donizete Gonçalves Dias, fornecedor
Judcael Ribeiro da Silva, “Cael”, fornecedor
Jocimar Ferreira da Silva, fornecedor
Valda Ribeiro da Silva, fornecedora
Allef de Oliveira Araújo, fornecedor
Carlito Araújo de Oliveira, fornecedor
Lázaro Roberto Leal, “Lazinho”, receptador
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